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domingo, novembro 5

Brasil sem piloto na F1, algo que não acontecia desde 1970

Emerson em sua estréia na F1, em Brands Hatch
Com o anúncio da aposentadoria de Felipe Massa e com a praticamente impossível contratação de outro brasileiro por um equipe para a temporada 2018, uma sequência de 47 anos seguidos com algum piloto do Brasil na F1 vai chegar ao fim. Era, tirando os britânicos e italianos, a maior sequência de representação da história da F1. Agora ficaremos sem ter um piloto na F1. E isso diz muito sobre o esporte no Brasil...

Nos primórdios da F1, alguns brasileiros tentaram a sorte, com destaque o mítico Chico Landi, que foi o primeiro a pontuar para o Brasil. Hernando da Silva Ramos e Fritz D'Orey também correram alguns GPs. Foram os pioneiros, mas jamais foram pilotos de equipes oficiais. Eram loucos, que não conseguiram se firmar no circo maior do automobilismo. Até o ano de 1968...

Dois irmãos, de ascendência italiana, gostavam demais de corridas. Criaram carros, era mecânicos, enlouqueciam a mãe D. Juze e enchiam de orgulho o pai, o Barão Wilson Fittipaldi, também piloto e narrador de corridas. O mais velho, Wilsinho era conhecido como Tigrão, por seu arrojo ao volante. O mais novo, Emerson, era o Rato, por ser astuto e conseguir manter-se vivo nas corridas e vencê-las com a inteligência. Os dois, junto com outros grandes nomes da época - Jose Carlos Pace o mais famoso de todos - seriam os primeiros brasileiros a tentar a sorte na Europa depois de muito tempo. 

Emerson foi primeiro e assombrou a Inglaterra com sua pilotagem segura, praticamente sem quebras do seu F3. Venceu corridas e passou rapidamente para a F2, a porta de entrada da F1 a época. No meio de 1970 já estava correndo para a mítica Lotus, de Colin Chapman. Estreou na Inglaterra ( foto que ilustra este post ), marcaria pontos na Alemanha e veria a morte de perto na Itália, quando o companheiro Jochen Rindt morreu numa batida no treinos. Ele terminaria por dar o título ao colega falecido ao vencer a corrida final em Watkins Glenn, nos EUA. Sim, vencer. Emerson detém até hoje o recorde de vitória mais rápida na F1 para quem não começou a temporada e tenha feito mais de 4 corridas.

Ele seria campeão em 1972, temporada em que tivemos outros 2 pilotos: o irmão Wilsinho e o Moco ( José Carlos Pace ). Ele seria bi-campeão em 1974 e tentaria, ao lado do irmão, fazer uma equipe vencedora. Não deu certo. Mas a semente plantada por Emerson, germinou. Em 1978 um carioca radicado em Brasília chegou para mostrar que não fora obra do acaso o que acontecera em 1970. Seu nome? Nelson Piquet Soto Maior. Venceria a primeira 2 anos depois, em etapa curiosamente onde Emerson conseguiria seu último podrum na F1, numa simbólica coincidência. Piquet venceria 3 campeonatos e seria vice outras 2 vezes. Depois veio Senna...

Acontece que depois de 1994, com a morte de Senna, as vitórias rarearam. Foram apenas 22 vitórias até 2008, quando veio a última. O máximo que conseguimos foram 3 vice-campeonatos, com Rubens Barrichello ( 2 ) e Felipe Massa. Já são quase 10 anos sem vitórias e como não teremos piloto no ano que vem, serão mais do que isso. Além disso, nem mesmo nome de apoio temos formado mais, com algumas raras exceções. E não apenas a quantidade ficou pior, mas também a qualidade.

Hoje não temos nenhum piloto de destaque nas categorias de acesso. Já tem alguns anos que não fazemos campeões da F3 inglesa ou da categoria de acesso à F1. E nem parece que tenhamos jovens em condições de chegar lá num futuro próximo. Assim, pela primeira vez em 47 anos ficaremos sem Piloto.

E isso diz muito sobre nosso esporte, que não anda nada bem recentemente. Igualmente sem perspectivas de melhoras...

Um comentário:

  1. Com isso o interesse por este esporte vai cair muito, mais do que já tem acontecido até aqui.A perspectiva de ter um brasileiro novamente é muito distante então nao sei até quando ainda vou assitir.

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